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Se Fossemos Vilões - Review + Análise

  • Foto do escritor: Mel
    Mel
  • 4 de abr. de 2024
  • 5 min de leitura

Atualizado: 11 de abr. de 2024

Título: Se Fossemos Vilões


Autor: M. L. Rio


Gênero: Mistério, Dark Academia, Ficção


Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (5/5)


"per astra ad astra"


Sinopse: A trama gira em torno de Oliver Marks, um jovem brilhante e talentoso que faz parte de um grupo de estudantes de teatro na prestigiosa universidade Dellecher Classical Conservatory. No entanto, o destino toma um rumo sombrio quando um de seus colegas é encontrado morto, e Oliver é acusado pelo crime.

Alternando entre passado (quando o crime aconteceu) e presente (Oliver sendo questionado sobre os acontecimentos), a narrativa desvenda os segredos, as rivalidades e as relações complexas entre os estudantes de teatro, todos eles apaixonados pela arte, mas também possuidores de suas próprias ambições e sombras. À medida que Oliver revisita seu passado e reflete sobre os eventos que levaram à tragédia, os leitores são levados a questionar quem são os verdadeiros vilões dessa história.

Com reviravoltas surpreendentes e uma escrita envolvente, "Se Fossemos Vilões" mergulha nas profundezas da psicologia humana, explorando temas como amizade, amor, traição e redenção. Uma obra que mantém os leitores à beira de seus assentos até a última página.



Resenha: O gênero Dark Academia é muito envolvente e incrível pra mim, e esse livro deixou o mesmo gosto na minha boca que "A História Secreta", porém ao contrário da história de Donna Tartt (a qual eu vejo como uma sátira), "Se Fossemos Vilões" toma um rumo mais sério, se aprofundando nos sentimentos de ressentimento e culpa.

Os 7 personagens principais se encaixam perfeitamente em arquétipos já conhecidos:

→ Oliver - o protagonista carente.

→ James - o "mocinho", ou herói.

→ Alexander - o vilão.

→ Meredith - a sedutora.

→ Wren - a ingênua.

→ Phillipa - a garota quieta e observadora (meio tomboy*).

→ Richard - o tirano.

E apesar de seus arquétipos serem estereotipados, cada personagem funciona muito bem dentro de sua função. Os personagens são muito bem desenvolvidos, e a dinâmica entre eles afeta o enredo significativamente.

O livro não é focado em reviravoltas, tendo apenas algumas pequenas revelações durante a trama que ajudam a chegar no resultado final, mas cada uma dessas revelações é extremamente satisfatória e intrigante, tornando o livro impossível de largar.


"Mas é assim que uma tragédia como a nossa ou como a de Rei Lear quebra seu coração - fazendo você acreditar que o final ainda pode ser feliz, até o último minuto."

A escrita é contemporânea, porém muito influenciada por Shakespeare (que, apesar de ser uma figura histórica, funciona quase como um personagem na história), é muito interessante também o quanto o nosso personagem principal (Oliver Marks) vê a si mesmo como um coadjuvante, e mais de uma vez refere a si mesmo como o "sidekick" de James.


Embora Oliver passe grande parte do livro convencido de que está apaixonado por Meredith, ele apenas a vê por sua beleza, e nunca algo mais profundo que isso; enquanto sente um amor incondicional por James, mesmo nunca admitindo ou deixando isso explícito, existem passagens onde admite ter ciúmes de James, repetidamente o descrevendo como um herói do qual ele quer sempre estar ao lado.


Como eu disse anteriormente, apesar da trama ser um mistério envolvendo um crime, a história gira ao redor dos personagens, então farei uma rápida análise de cada um:


{Oliver}: O protagonista constantemente se vê como um coadjuvante, porém em nenhum momento Oliver pareceu inseguro; muito pelo contrário, ele parece se sentir confortável e até mesmo orgulhoso em ser o "braço-direito" (ou Banquo) de James.

Sua falha fatal é a lealdade cega, pois Oliver é capaz de ignorar a justiça, ética e até mesmo o próprio bem-estar para proteger aqueles à quem é devoto.


{James}: James é visto como um herói, e sua personalidade rivaliza com a de um "Príncipe Encantado", sempre galante e gentil, protegendo aqueles ao seu redor.

No entanto, James também tem seus demônios, lutando profundamente para afastá-los.


{Filippa}: A frase "Esteja ciente daqueles que raramente falam, pois são eles que guardam muitos segredos e verdades." é perfeita para descrever Pip. Filippa é muito volátil para se encaixar em uma categoria, o que lhe dá a capacidade de desempenhar muitos papéis, dentro e fora do palco.


{Alexander}: O verdadeiro vilão da história, além de ser um viciado, ele manipula seus amigos, agindo como um "diretor" na vida real. Contudo, ele também é o mais ponderado do grupo, sendo capaz de se manter calmo em situações extremas.


{Wren}: Sua inocência quase infantil a tornam muito vulnerável. Wren é intimamente conectada aos seus próprios sentimentos, porém isso a torna um tanto sensível e frágil, contanto com a proteção e liderança de Richard, seu primo, para a guiar.


{Meredith}: Apesar do Oliver ver ela como uma espécie de femme fatale**, a verdade é que Meredith não passa de uma "garota malvada" que usa sua aparência para manipular os outros e assim se sentir melhor consigo mesma. Em alguns momentos sentimos pena dela por sua situação com o namorado violento, Richard; mas a maior parte do tempo, o próprio comportamento da personagem é condenável, então ela não gera muita simpatia.


{Richard}: O tirano da história. De longe o ator mais talentoso do grupo, e ele sabe disso. Sua hubris*** é sua ruína, pois com seu talento e intelecto ele tinha de tudo para ter muito sucesso, porém sua personalidade tirânica e suas ações violentas o tornam uma pessoa desprezível e odiada.


Apesar de suas diferenças, todos os sete tem uma paixão em comum: Shakespeare; e por isso se mantém unidos por tanto tempo: pelo amor conjunto pelo drama, romance e conhecimento.

Este livro revela uma profundidade surpreendente quando se dedica atenção a todos os detalhes e acontecimentos. Ele aborda questões como abuso, obsessão, morte e as escolhas que podemos fazer para evitar determinadas situações. Explora também as diversas facetas do amor, que podem se manifestar de várias formas, seja através de amizade, laços fraternais ou lealdade.


"Você culpa Shakespeare por parte disso?" A pergunta é tão improvável, tão absurda vindo de um homem tão sensato, que não consigo conter um sorriso. "Eu o culpo por tudo isso."


Personagem Favorito: James Farrow


Conclusão: É bastante inteligente e extremamente revigorante - o tipo de livro que te envolve completamente enquanto você o lê. Eu recomendo muito para pessoas que já tem afinidade ao teatro e principalmente Shakespeare, mas o livro não é pretensioso e mesmo sem conhecimento prévio dessas coisas, ainda é possível aproveitar a história.


Citações Favoritas: "O que é mais importante, que César é assassinado, ou que ele é assassinado por seus amigos?"


"Não que eu amasse César menos, mas sim que eu amava Roma mais."


"Para alguém que amava tanto as palavras quanto eu, era surpreendente o quão frequentemente elas me falhavam."


"Você pode justificar qualquer coisa se a fizer poeticamente o bastante."



Créditos da imagem: Pinterest



*Tomboy: mulher que exibe características ou comportamentos considerados mais típicos de meninos

**Femme Fatale: termo usado para descrever uma mulher sedutora e misteriosa que conduz os homens a situações perigosas ou comprometedoras, muitas vezes resultando em seu declínio.

***Hubris: uma das "falhas fatais" nas tragédias gregas, hubris é a arrogância e orgulho desenfreados.

2 comentários


Luiz Monaro
Luiz Monaro
23 de abr. de 2024

Muito bom! Excelente review, parece ser um ótimo título

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Mel
Mel
25 de abr. de 2024
Respondendo a

Muito obrigada! 🌹💜

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