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O Mar de Monstros - Resenha

  • Foto do escritor: Mel
    Mel
  • 4 de fev.
  • 7 min de leitura

Atualizado: 5 de fev.

Título: O Mar de Monstros


Autor: Rick Riordan


Gênero: Fantasia, YA, Aventura


Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (5/5)


Sinopse: Quando as fronteiras mágicas do Acampamento Meio-Sangue começam a enfraquecer, Percy Jackson descobre que o lugar que ele chama de lar está em perigo. Para restaurar a proteção do acampamento, ele precisa atravessar o traiçoeiro Mar de Monstros em busca do lendário Velocino de Ouro.

Acompanhado por Annabeth, Grover e um aliado inesperado, Percy enfrenta criaturas mitológicas, desafios mortais e escolhas difíceis. Ao longo da jornada, antigas profecias ganham novos significados, amizades são colocadas à prova e Percy começa a perceber que o maior perigo pode não estar nos monstros… mas nas decisões que cada um escolhe tomar.



Resenha: 🌊 Com a nova série da Disney ganhando popularidade, vi muitas pessoas se perguntando por que a Sally não adotou o Tyson nos livros. Isso é explicado logo nas primeiras páginas: nos livros, Sally e Percy são pobres e vivem com certa dificuldade, então levar mais uma criança para casa seria impossível. Além disso, Sally tenta de tudo para conseguir ajuda apropriada para o Tyson, mas o governo simplesmente o “ignora”, o que, apesar de ser muito mais triste, é também mais realista, e fundamental para o desenvolvimento do personagem. O fato de o Tyson ter crescido nas ruas é importante.


“Minha mãe já reclamara na escola um milhão de vezes, porque eles não estavam fazendo o bastante para ajudá-lo. Ligou para o serviço social, mas aparentemente nada aconteceu. Os assistentes sociais alegaram que Tyson não existia.”


🌊 Uma coisa que fica muito nítida nesse livro é o quão inteligente o Percy é, principalmente quando se trata de estratégias de batalha. Muitas pessoas no fandom criaram essa ideia de que a Annabeth é super inteligente e o Percy é um bobalhão, quando, na verdade, ambos são extremamente competentes. Eles se completam onde o outro falha, e nenhum é “melhor” que o outro.

🌊 Eu gosto muito de como, nos livros, os personagens são representados de acordo com a idade que têm. A própria Annabeth, apesar de ser filha de Atena, super inteligente e estrategista, ainda é só uma garotinha de 13 anos que sente medo e emoções fortes. Ela chora diversas vezes ao longo do livro, e isso não a torna mais fraca, e sim mais realista. (Outra coisa que foi removida da série, já que aquela versão da Annabeth é sempre estoica e séria.)

“Tyson começou a chorar alto, quase tanto quanto Annabeth.”

🌊 É nesse livro que começam a ficar mais evidentes as similaridades entre Percy e Luke. Eles têm as mesmas reclamações, os mesmos problemas e as mesmas visões, mas lidam com tudo isso de maneiras completamente diferentes, e essa é a verdadeira diferença entre eles. São dois lados da mesma moeda. Ou dracma.


“Eu era sempre comparado com Luke.”


Percy sabe muito bem que mesmo os “melhores” deuses ainda são pais medíocres e irresponsáveis.


“Que tipo de pai é esse que deixa aquilo acontecer com o filho, mesmo que ele seja um monstro?”


🌊 Uma das coisas que eu mais gosto em O Mar de Monstros são os paralelos com A Odisseia, como Annabeth e Percy fingindo ser “Ninguém” para enganar Polifemo, ou Grover usando a mesma tática de Penélope: enrolar seu pretendente enquanto tece algo, apenas para desfazer o trabalho quando está sozinho e ganhar mais tempo. Eles passam por diversos outros locais que também fazem parte da Odisseia, mas esses dois momentos são os meus favoritos.

🌊 Percy e Grover são, canonicamente, almas gêmeas platônicas. E eu amo isso. É muito bom ver uma amizade profunda e carinhosa entre personagens masculinos.


“— […] Nossas emoções estão ligadas agora. Se eu morrer… — Nem me diga. Eu morro também.”


🌊 O personagem de Tântalo também é muito bem caracterizado. Seu desdém pelas crianças é um traço importante, mas o que mais me chamou atenção foi o fato de todas as punições que ele aplica (ou ameaça aplicar) estarem relacionadas à comida: ficar sem guloseimas na fogueira por uma semana, fazer hora extra lavando louça na cozinha, colocar harpias como seguranças noturnas sabendo que elas devorariam campistas que burlassem o toque de recolher. Isso acontece porque, para ele, a comida é o seu ponto fraco, e não existe nada mais cruel do que impedir alguém de comer.

🌊 Outra coisa que eu gosto muito no livro, e que, por consequência, me desanimou bastante na série, são os personagens secundários. Em O Mar de Monstros, já somos apresentados a Charles Beckendorf, Silena Beauregard e aos irmãos Connor e Travis Stoll, personagens que simplesmente não existem na série. No lugar deles, a série introduz Alison Simms, uma personagem que não existe nos livros e que serve apenas para executar atos violentos que, originalmente, eram responsabilidade do Luke.

Isso me leva à minha principal reclamação sobre a série: estão suavizando demais o Luke! Nos livros, ele é violento, obstinado e disposto a sacrificar qualquer pessoa, inclusive a Annabeth (mais de uma vez, em mais de um livro), para alcançar seus objetivos. Na série, vemos uma versão muito mais “aguada”, confusa e indecisa, que precisa das atitudes da Alison para mover a trama.


“— Já é hora de alimentar o dragão etíope. Leve esses tolos para baixo e mostre-lhes como fazemos.”


“Ele olhou para o homem-urso Oreios, que ainda segurava Annabeth e Grover pelo pescoço — Você pode comer o seu jantar agora, Oreios. Bon appétit.”


🌊 A mágoa que Annabeth sente por Luke também é muito maior nos livros. Ela acredita que ele pode ser salvo, sim, mas isso não significa que ela pegue leve com ele. Muito pelo contrário: ela se sente profundamente traída e enganada pela pessoa em quem mais confiava.


“— Temos de descobrir o que Luke está aprontando — concordou Annabeth — E, se possível, vamos lhe dar uma surra, acorrentá-lo e arrastá-lo para o Monte Olimpo.”


🌊A Circe nos livros também é muito mais próxima da versão dos mitos, carregando ressentimento por todos os homens e tentando recrutar Annabeth como sua aprendiz. A descaracterização dela na série me incomodou bastante.

🌊Quando Percy e Annabeth “libertam” os piratas que Circe havia amaldiçoado, Percy chega a rir e comenta que "achei que eles mereciam algum divertimento melhor do que a roda de exercícios dos porquinhos-da-índia depois de ficarem presos em uma gaiola por três séculos." Isso soa engraçado quando você é criança, mas o que eles não percebem naquele momento é que esses piratas eram ladrões, assassinos e potencialmente estupradores (algo que, obviamente, não seria explícito em um livro infantojuvenil). Ainda assim, fico satisfeita em saber que essa atitude tem consequências, mesmo que elas só apareçam muito tempo depois, em Heróis do Olimpo.

🌊Após fugirem da ilha de Circe, Annabeth se abre com Percy sobre seu medo e ódio de ciclopes, contando com mais detalhes como conheceu Luke e Thalia, e como Grover os guiou até o acampamento. No primeiro livro, Grover sente muita culpa pelo que aconteceu, e Annabeth diz que ele não teve culpa de nada. Porém, nessa nova versão da história, ela conta que Grover errou o caminho diversas vezes, e que um desses erros os levou ao covil de um ciclope, onde ocorreu o grande trauma dela. Então, com todo respeito ao Grover, porque eu gosto muito dele, mas a culpa foi dele sim.

🌊Quando Annabeth tenta nadar até as sereias (que, inclusive, são metade mulher e metade pássaro, não peixe), Percy tem um vislumbre de como o canto delas a afeta. Ele vê o sonho dela de um gigantesco projeto arquitetônico e também sua família reunida novamente, incluindo Luke, mas, curiosamente, sem Thalia.

🌊Por fim, depois de Percy se apiedar de Polifemo e deixar o ciclope viver (assim como Odisseu fez), Tyson reaparece são e salvo e os ajuda a escapar. O navio afunda, e Polifemo acredita de verdade que finalmente matou “Ninguém”, seu arqui-inimigo. Esse detalhe é extremamente satisfatório e retorna mais tarde em um diálogo sobre como Polifemo está iludido achando que venceu… e como talvez Percy também esteja iludido. Isso torna ainda mais estranha a decisão da série da Disney de fazer Tyson matar Polifemo. Ele jamais faria isso!


Personagem Favorito: Tyson


Conclusão: Eu gosto demais dessa saga, e estou muito feliz de finalmente estar relendo esses livros. São ainda melhores do que eu me lembrava. E honestamente, a série também é muito boa, eu só gostaria que não tivessem divulgado ela como algo super fiel aos livros, porque isso, definitivamente, ela não é.


Citações Favoritas: "Quis que Annabeth estivesse ali. Ela saberia interpretar meu sonho. Nunca admiti isso para ela, mas era mais esperta do que eu, mesmo que às vezes fosse meio irritante." "Tinha sentido mais saudades de Annabeth do que gostaria de admitir."


"Você podia falar qualquer coisa sobre Clarisse, mas ela era corajosa." "Até mesmo Clarisse se preocupava com os soldados sob seu comando." "Ele [Tyson] era muito inocente para entender quando estavam rindo à custa dele, e como as pessoas eram cruéis." "Eu não pretendia deixar que ninguém me deixasse sem graça a ponto de me calar." "— Prometi que ia manter você afastado do perigo. Só posso fazer isso indo com você!" "Aquele Perseu sempre vencia. É por isso que minha mãe me deu seu nome [...] O Perseu original foi um dos únicos heróis dos mitos gregos que teve um final feliz." "Típico dos deuses, não acha? Eles brigam entre si e os pobres humanos são apanhados no meio." "O vento pareceu dar risadas quando escapou da garrafa térmica, como se estivesse contente por se ver livre." "Quer dizer, ela [Annabeth] estava bonita. Bonita a beça. [...] Mas havia algo de totalmente errado naquilo. Aquilo não era Annabeth." "Estava inquieto, como se o instinto de ser um animalzinho assustado fosse agora parte de mim. Ou talvez sempre tivesse estado ali. É o que de fato me preocupava." "Estendi o Velocino sobre Annabeth, cobrindo tudo, menos o rosto, e rezei silenciosamente paras todos os deuses em que pude pensar até os de que não gostava." "—Preferiria que meus primos não batessem as cabeças. Eles não têm neurônios sobrando." "Você transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno."



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