O Grande Gatsby - Resenha
- Mel

- 29 de jan.
- 3 min de leitura
Título: O Grande Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald (supostamente) - Mas provavelmente foi a Zelda Fitzgerald
Gênero: Romance; Tragédia
Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (4/5)
Sinopse: Narrado por Nick Carraway, O Grande Gatsby se passa na Nova York dos anos 1920, uma era marcada por festas extravagantes, riqueza excessiva e sonhos grandiosos. Ao se mudar para Long Island, Nick conhece seu misterioso vizinho, Jay Gatsby, um homem cercado por luxo, rumores e um passado envolto em segredos.
Obcecado por um amor perdido, Gatsby construiu sua fortuna acreditando que poderia reconquistar Daisy Buchanan e reviver um passado idealizado. Mas por trás do brilho das festas e da promessa do “sonho americano”, escondem-se ilusões, desigualdades e tragédias inevitáveis.

Resenha: Eu quero começar com um pequeno desabafo: a edição da Companhia Pinguim de O Grande Gatsby tem um total de SESSENTA páginas de introdução. É quase metade do volume do livro. Enfim, esse é o tipo de livro onde absolutamente nenhum dos personagens presta, e ler ele é como ouvir alguém contar uma fofoca absurda sobre pessoas que você mal conhece, mas agora quer saber tudo sobre. A história é narrada por Nick Carraway, um homem que se orgulha de ser "uma das poucas pessoas honestas que restam no mundo", apesar de estar constantemente facilitando as imoralidades das pessoas ao seu redor. Eu entendo que ele tem essa atitude devido a um conselho de seu pai sobre não julgar as decisões dos outros, mas acredito que ele leve isso ao extremo ao permitir e até mesmo se envolver nos esquemas alheios.
"Sempre que tiver vontade de criticar alguém, lembre-se de que ninguém teve as oportunidades que você teve."
A paixão de Gatsby por Daisy parece adorável no começo, porém logo é possível perceber que ela chega no nível de obsessão, e a mulher que ele ama não existe de verdade, ele criou uma imagem exaltada de Daisy em sua mente, mais sobre o que ela representa ("uma vida segura, tranquila e muito acima das preocupações dos pobres") do que quem ela é na realidade.
"[...] embora tenha assinado um jornal de Chicago por vários anos só pela chance de poder topar com o nome de Daisy."
Tom Buchanan é abertamente racista, com aquele discurso de supremacia branca bem explícito, falando que pessoas negras vão “aniquilar” a raça branca. É desconfortável de ler; e pior ainda perceber que a Daisy, mesmo não falando as mesmas coisas, claramente permite esse tipo de pensamento sem questionar e em um momento até "concorda" para agradar o marido. Tem também o sr. Wolfshiem, um personagem judeu extremamente caricato, e é impossível ignorar como o Nick fica fazendo comentários internos sobre o nariz dele. É mais um momento que deixa claro o quanto o livro carrega preconceitos bem fortes da época.
E por fim, minha personagem favorita, Jordan Baker, uma jogadora de golfe e melhor amiga de Daisy, que está sempre presente nos escândalos, sem estar diretamente envolvida. Ela tem uma "mania" de se fazer de distraída durante discussões, para poder ouvir sem que peçam sua opinião.
Conclusão: Mesmo com todas as críticas, a verdade é que eu amei o livro. Ele é divertido, envolvente e fácil de ler. Dá pra gostar da história e, ao mesmo tempo, reconhecer o quanto os personagens são moralmente questionáveis.
Citações Favoritas: "E eu gosto de festas enormes, são tão íntimas. Nas festas pequenas não há nenhuma privacidade."
"Então veio a guerra, meu velho. Foi um grande alívio e eu fiz o máximo possível para morrer..."
"Gatsby comprou aquela casa pois sabia que Daisy estava do outro lado da baía."
"Nem as maiores lufadas de fogo e vento seriam capazes de competir com aquilo que um homem pode guardar em seu coração etéreo."
"Creio que a voz de Daisy, com seu entusiasmo oscilante e febril, o prendia sobretudo por não conseguir ser superada em sonhos — aquela voz era uma música imortal."
"Então rumamos em direção à morte através do frescor do crepúsculo."
"Àquela altura, eu o odiava tanto que não julguei necessário dizer que ele estava errado."
"Mas tudo passava rápido demais diante de seus olhos embaçados, e ele sabia que tinha perdido aquele detalhe da paisagem, o melhor e mais puro, para sempre."
"Ontem fomos iludidos, mas não importa — amanhã correremos mais rápido, esticando nossos braços mais além... E numa bela manhã... E assim avançamos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente de volta ao passado."





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