Percy Jackson e os Olimpianos: O Ladrão de Raios - Resenha
- Mel

- 5 de mar. de 2025
- 5 min de leitura
Título: O Ladrão de Raios
Autor: Rick Riordan
Gênero: Fantasia, Aventura, Mitologia Grega, Infanto-Juvenil
Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (5/5)
Sinopse: Percy Jackson sempre se sentiu diferente, mas nunca imaginou que isso se devia ao fato de ser um semideus — filho de um humano com um dos deuses do Olimpo. Aos 12 anos, ele descobre sua verdadeira identidade após ser atacado por criaturas mitológicas e levado ao Acampamento Meio-Sangue, um refúgio para filhos dos deuses gregos. Lá, Percy descobre que é filho de Poseidon, o deus dos mares, e que está no centro de um conflito divino: o raio-mestre de Zeus foi roubado, e ele é o principal suspeito.
Ao lado de seus amigos, Annabeth, filha de Atena, e Grover, um sátiro, Percy embarca em uma jornada cheia de perigos para provar sua inocência, enfrentar monstros lendários e evitar uma guerra entre os deuses que poderia destruir o mundo. Misturando mitologia grega com ação e humor, O Ladrão de Raios é o primeiro livro da série Percy Jackson e os Olimpianos, escrita por Rick Riordan.

Resenha: Eu li Percy Jackson pela primeira vez aos 12 anos, a mesma idade que Percy tem no começo do livro, e logo de cara me apaixonei pelo universo fantástico que Rick Riordan (ou tio Rick) criou. Desde pequena sou fascinada por mitologia grega, e esses livros me ajudaram muito a firmar esse interesse.
Esse ano, decidi reler a saga, pra ver se era realmente boa, ou se era tudo memória afetiva; pra minha felicidade, o livro é extremamente bem escrito e cativante, com uma narrativa carismática e envolvente.
"Olhe, eu não queria ser um meio-sangue."
Percy Jackson é definitivamente um livro conforto para todas as pessoas que foram taxadas de problemáticas ou estranhas na infância, e tem uma ótima mensagem de que, independente das profecias, nós traçamos nosso próprio destino.
[Spoilers a partir daqui]
Como essa foi uma releitura para mim, eu já sabia tudo o que iria acontecer, apenas não me lembrava dos detalhes, e uma coisa que me surpreendeu muito foi a quantidade de foreshadowing* sobre as verdadeiras intenções de Luke; em diversos momentos os personagens ou a narração diz algo que, para quem já sabe o que o Luke é, parecem acusações diretas, mas para quem lê pela primeira vez passam batido completamente.
Alguns temas mais "adultos" também passaram despercebidos quando eu era menor, como por exemplo quando Quíron diz gostar de seu trabalho como mentor, mesmo sendo "horrivelmente deprimente" às vezes, deixando subentendido quantos pupilos dele morreram ou sofreram destinos violentos e amargos.
Desde sua chegada ao Acampamento Meio-Sangue, vemos também Percy criticando as mesmas coisas que incomodavam Luke, criando um paralelo que só será realmente visto mais pra frente na saga, mas que já mostra como as motivações de Luke eram válidas, apesar dos meios serem... questionáveis?
Um ponto negativo para mim é algo que até faz sentido por ser um livro infanto-juvenil, é a "vilanização" de Hades. Mesmo sendo inocentado no final, em vários momentos do livro os personagens falam sobre o como ele é cruel e enganador, ou como tudo o que está acontecendo só pode ser culpa dele, quando na mitologia grega, ele era na verdade um dos deuses mais tranquilos, pelo menos em comparação com seus irmãos, e em diversos mitos ele oferece chances justas para os heróis, ao invés de atormentá-los impiedosamente, como é implicado no livro.
A caracterização da Annabeth é uma das minhas partes favoritas desse livro, pois apesar de ser filha de Atena, ser muito inteligente e "sempre ter um plano", Annabeth ainda é apenas uma menina de 12 anos, que ainda possui uma certa ingenuidade infantil. (Coisa que foi retirada dela na série, e que na minha opinião foi um erro, já que mesmo sendo extremamente esperta, Annabeth nunca saiu em uma missão de verdade, e, assim como Percy, ainda não sabia como as coisas seriam no mundo real.)
Seguindo nessa linha, eu também gosto muito de como Grover é o primeiro a notar o perigo em diversas ocasiões (exceto no subterrâneo, afinal é um sátiro), já que este é um guardião, e tem mais experiência do que os dois semideuses.
Grover também se culpa muito pelo destino de Thalia, e eu acho muito bonita a amizade dele com Percy, e o quanto ele é apreciado pelo amigo, que o incentiva a sempre manter a cabeça erguida e a mostrar o seu valor.
"-Não foi por sina que você encontrou Thalia e eu, Gover. Você tem o maior coração entre todos os sátiros. Você é um buscador natural. É por isso que é você quem vai achar Pã."
Os deuses também são muito interessantes; como Poseidon sendo afetuoso porém distante, como o mar; Ares criando conflitos sem pensar na lógica ou consequência dos mesmos; e principalmente Hades, agindo como um gerente cansado que não aguenta mais o trabalho, mas não pode se demitir (e se recusa a dar um aumento para Caronte).
A atitude de Percy é desafiadora, tanto contra seus bullies de escola como contra os próprios deuses, o que é evidenciado quando ele decide enviar a cabeça decepada da Medusa para o Olimpo, ou quando chama Ares de covarde ao chamá-lo para uma briga mano-a-mano. (É exagero dizer que ele me lembra Odisseu? Porque lembra.)
"Sua mãe é uma rainha entre as mulheres."
E por fim, mas definitivamente não menos importante: Sally Jackson, uma rainha entre as mulheres, a melhor pessoa do mundo e a melhor mãe fictícia já criada. Sally se sacrificou de incontáveis maneiras para manter seu filho seguro, desde aguentar um marido abusivo até distrair o próprio Minotauro; tendo seu grande momento no final do livro, onde reencontra sua força e sua liberdade (e um talento artístico para esculturas?).

Personagem Favorito: Percy Jackson
Conclusão: Eu amei ter a oportunidade de ler esse livro de novo depois de tantos anos, e ver que minha obsessão era completamente justificada. Mal posso esperar para ler os outros, e mergulhar novamente nesse universo tão incrível.
Citações Favoritas: "-Porque eu não sou normal? - disse eu.
-Você diz isso como se fosse uma coisa ruim, Percy."
"Você baba quando está dormindo."
"-Eles não vão gostar disso - advertiu Grover. - Vão achá-lo impertinente.
-Eu sou impertinente."
"-Percy - disse Annabeth -, eu disse olá para o poodle. Diga olá para o poodle."
"Os mortos não são assustadores. São apenas tristes."
"Quando a sua lâmina é a mais curta, chegue perto."
"O mar não gosta de ser contido."

*foreshadowing: é uma técnica literária que consiste em dar pistas sobre o que vai acontecer mais tarde na história.



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