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Odisséia - Resenha

  • Foto do escritor: Mel
    Mel
  • 7 de mai. de 2025
  • 10 min de leitura

Título: Odisséia


Autor: Homero (adaptação de Roberto Lacerda)


Gênero: Épico Grego; Poesia Narrativa


Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (3.5/5) - provavelmente o original seria nota 5


Sinopse: Nesta adaptação em prosa feita por Roberto Lacerda, A Odisséia, ganha uma nova forma sem perder a força de seu enredo lendário. A obra narra a longa e perigosa jornada de Ulisses (Odisseu) - Essa edição utiliza o nome romano, por algum motivo -, rei de Ítaca, que após lutar na Guerra de Troia, enfrenta uma série de obstáculos para retornar ao seu lar. Monstros, deuses e feitiços desafiam sua coragem, inteligência e perseverança ao longo de dez anos de viagem. Enquanto isso, sua esposa Penélope e seu filho Telêmaco enfrentam pressões e ameaças em Ítaca, mantendo viva a esperança de seu retorno. Com linguagem acessível e narrativa envolvente, a adaptação aproxima o leitor jovem ou iniciante da rica mitologia grega e da aventura épica que marcou a literatura ocidental.

Resenha: Mesmo sendo apaixonada por mitologia grega desde criancinha, foi necessário um porto-riquenho escrever um musical em inglês sobre Odisseu pra me convencer a ler a Odisséia (obrigada, Epic: O Musical).


Eu encontrei essa edição em um sebo, e se trata de uma adaptação em prosa, resumindo os acontecimentos do poema original; logo, sei que faltam informações e muitos acontecimentos estão faltando detalhes, mas ainda assim é uma boa narrativa com todos os pontos principais da aventura.


Dito isso, minhas opiniões sobre a história são influenciadas pela edição que eu li, e também pelo musical Epic, que fez com que eu me importasse demais com personagens que mal aparecem na história. (Queria mais cenas do Polites ˙◠˙)


O livro começa com uma breve explicação sobre a Guerra de Tróia, e como Páris foi (por intermédio dos Deuses) responsável pelo sequestro de Helena, esposa de Menelau, rei de Esparta, e como este reuniu seus homens (Odisseu incluso - além de Aquiles, Patróclo e Ajax) para marchar contra Tróia.

Ao final da guerra, com a vitória de Esparta, Odisseu reúne seus homens e partem numa jornada de volta para seu lar, Ítaca.


Uma coisa que me incomoda nessa e em diversas outras instâncias da Odisséia é o uso do nome "Ulisses", versão romana do nome Odisseu, pois "Odisséia" é um termo criado por Homero, significando "uma longa jornada onde apenas um integrante sobrevive", homenageando o tal único sobrevivente, Odisseu.

Traduzir seu nome para Ulisses tira o sentido do título da história.


Enfim, como ao longo da jornada Odisseu passa por diversos lugares, vou dividir a resenha/resumo em "paradas".


🏺 Os Cícones

Na primeira parada da frota de Odisseu, eles se encontram na costa da Trácia, habitada pelos Cícones, um povo conhecido por sua vasta riqueza.

Aqui é possível ver a ganância dos gregos, pois começaram a pilhar a cidade, apesar do esforço de Odisseu para impedi-los.

A fé, porém, é o que finalmente os acalma, quando o sacerdote Náron faz um belo discurso para proteger o seu templo.


🌺 Os Lotófagos

Depois de fugirem da ira dos cícones, os navios gregos é levado pelos ventos até o litoral africano, onde viviam os lotófagos, um povo nada hostil que vivia de um fruto chamado Lótus (alimento entorpecente que faz quem o prove esquecer sua pátria, família e amigos e desejar para sempre ficar onde está).

Alguns dos soldados provam do fruto, e precisam ser arrastados à força por Odisseu de volta ao navio.


🐑 O Ciclope

Em sua próxima parada, os gregos encontram uma ilha farta de animais e árvores frutíferas, e ao explorar o local mais a fundo, se deparam com uma caverna.

Odisseu escolhe doze homens para o acompanhar na investigação, enquanto os demais deviam retornar ao navio e se preparar para partir.

Na caverna, encontram e devoram queijos e cabras, e logo são descobertos por Polífemo - o mais terrível dos ciclopes (Quero abrir um parênteses para falar sobre isso. Polífemo anda recebendo a fama de ciclope "filhote", como se fosse uma criança; não sei ao certo onde essa desinformação se iniciou, mas  não há nenhuma menção direta ou sugestão de que Polifemo seja um “filhote” ou jovem. Pelo contrário, ele é descrito como um ciclope adulto, pastor de ovelhas, que vive sozinho em uma caverna e cuida de seu próprio rebanho, além de se julgar mais forte que os deuses e não prestar obediência a eles.)

Polífemo prende os soldados em sua caverna, e ao longo de sua estadia mata um total de 6 homens, dois por vez em diferentes momentos, até que a astúcia de Odisseu os permite formular uma estratégia para fugir, embriagando e cegando o ciclope.

É também nesse momento que Odisseu se apresenta para Polífemo pela alcunha de "Ninguém", fazendo com que os pedidos de ajuda de Polífemo fossem ignorados pelos seus iguais, que o disseram: "se ninguém o feriu, por que não nos deixa dormir em paz?"

Infelizmente apesar da astúcia do momento, Odisseu logo depois decide tripudiar o ciclope, gritando seu nome, o nome de seu pai e de sua ilha (só faltou o CPF), dando a ele todas as informações necessárias para mandar seu pai (Poseidon) persegui-lo.


🌬️ Éolo

Chegaram então a uma ilha flutuante, onde reinava Éolo, o guardião dos ventos, que ao receber os gregos ficou encantado ao ouvir suas histórias, decidindo dar-lhes um presente: um saco de couro contendo os ventos da tempestade que os impedia de chegar à Ítaca.

Os marinheiros porém desconfiavam que no saco haveria ouro e tesouros, e aguardaram por nove noites até que seu capitão pegasse no sono para abrir o saco, libertando os ventos da tempestade e lançando-os de volta ao litoral da ilha de Éolo, que revoltado com a tolice dos gregos se recusou a ajudar novamente.

Inclusive, estavam tão perto de casa que era possível ver Ítaca no horizonte, tornando essa parte especialmente trágica.


🐖 Circe

Eles partem novamente, navegando em rumo confuso, até chegar em Aeaea, ilha da feiticeira Circe.

Odisseu dividiu seus homens em dois grupos, enviando o grupo de seu cunhado, Euríloco para uma missão de reconhecimento, da qual apenas Euríloco voltou, enquanto Polites (melhor amigo de Odisseu) e os outros entraram no palácio da feiticeira, que os recebeu muito bem, até que os alimentou com comida e bebida enfeitiçadas, transformando os homens em porcos.

Euríloco tentou convencer Odisseu a ir embora sem os outros, porém o herói estava decidido a resgatar seus companheiros.

Antes de entrar no palácio, porém, Hermes, o deus mensageiro (e bisavô de Odisseu) o interrompeu, entregando a ele uma erva que cortaria o efeito da poção de Circe.

Circe, assustada pelo guerreiro não ter se transformado ofereceu um acordo; Odisseu deveria se deitar com ela e, em troca, ela libertaria seus homens.

Odisseu inicialmente negou, mas sua lealdade aos marinheiros o fez concordar após fazer a feiticeira jurar pelo rio Estige (o juramento sagrado).

A tripulação ficou, então, por algum tempo em Aeaea, até que a saudade de casa fez Odisseu derramar lágrimas na frente da feiticeira, que compadecida, os muniu de provisões para a viagem, mas dizendo a Odisseu que deveria ir ao mundo dos mortos buscar conselhos de Tirésias, o profeta.


🩸 O Profeta Cego

Odisseu chega ao Hades e utiliza o sangue de uma ovelha preta para chamar a atenção dos mortos, e antes que Tirésias chegue, o herói se depara com o fantasma de sua mãe, descobrindo assim que ela havia morrido (de coração partido, pois acreditava que o filho havia morrido na tempestade antes de chegar a Ítaca).

Tirésias o informa que Poseidon busca vingança por terem cegado seu filho, Polífemo (todos os ciclopes são filhos do deus do mar), e instrui Odisseu a impedir que seus companheiros ataquem o rebanho de Hélio.

Acabada sua conversa com o profeta, ele alimenta o fantasma de sua mãe com o que restou do sangue do animal, permitindo que pergunte a ela sobre sua esposa e filho (Penelope e Telémaco), sendo tranquilizado pelas palavras da mãe.


🧜🏼‍♀️ As Sereias

Seguindo viagem, os gregos passam pelo território das sereias (que, na mitologia grega, são criaturas com rosto de mulher e corpo de ave de rapina, não peixe.)

Os gregos porém estavam preparados e encheram seus ouvidos de algodão, exceto por Odisseu, que foi amarrado ao mastro pois desejava ouvir o canto delas, se protegendo para não se jogar ao mar.


🌊 Cila e Caribde

Passando pelas sereias, Odisseu chega aos lares de Cila, um monstro de seis cabeças que devora aqueles que passam por ela, e Caribde, que com sua bocarra causa turbilhões violentos na água, engolindo navios.

Para evitar ao máximo Caribde, os navios navegam para o outro lado, porém quando já estavam quase fora do alcance, se desviaram para dentro do domínio de Cila, onde foram perdidas as vidas de mais seis homens.


☀️ O Rebanho do Sol

Finalmente atracam em terra novamente, na ilha de Trinácia, e Odisseu se lembra do conselho de Tirésias ao ver o rebanho de Hélio. Ele freneticamente alerta seus soldados de que não machuquem o rebanho, e que cacem os outros animais da ilha, porém Euríloco convence alguns outros homens a matar e comer os dois melhores bois do rebanho* (novamente ele tomando decisões estúpidas e indo contra a palavra de Odisseu), alegando que seria melhor morrer afogado do que de fome (apesar da ilha ter diversos outros animais para comerem).

Com isso, Hélio recorre a Zeus, que se enfurece e envia uma violenta tempestade, com raios que partem o navio dos gregos ao meio, afundando toda a tripulação.


🌴 Preso no Paraíso

Odisseu é o único a sobreviver, e acorda na ilha de Ogígia, onde acaba nas amorosas garras de Calipso, uma ninfa imortal que se apaixona pelo herói e se recusa a deixá-lo ir embora por um período de sete anos, oferecendo-lhe a imortalidade ao lado dela - algo que Odisseu negava, pois desejava se manter mortal e retornar à sua pátria.

Atena então pede a Zeus que o liberte, e ele envia Hermes para passar o recado.

Hermes então informa Calipso que ela deve libertar seu "hóspede-prisioneiro", e, relutante, ela vai até Odisseu.

A ninfa encontra o herói chorando de saudades de sua terra, de seu filho e de sua esposa.

Antes de ir, Calipso se deita com Odisseu de uma forma que parece não muito consensual, pelo menos na versão que eu li, deixando a entender que ela força Odisseu a comparecer; porém após essa controversa despedida, a ninfa auxilia Odisseu com sua jangada, e este parte sem olhar para trás.


🔱 Poseidon

Mas como nada nunca é fácil na vida desse homem, dezoito dias após ter deixado a ilha de Ogígia para trás, ele é atacado pelo vingativo Poseidon (que ainda está irritado por terem cegado seu filho - e deixado nome e endereço registrado pra fazer gracinha).

Uma nova tempestade ataca a jangada de Odisseu, mas Ínoco, uma ninfa do oceano conhecida por socorrer náufragos o auxilia a utilizar uma das tábuas de sua antiga jangada como "montaria', enquanto Atena intervia na tempestade, detendo os ventos para que Odisseu pudesse chegar em terra firme novamente.


🕊 Nausica

O herói então chega a ilha de Esquéria, uma aliada de Ítaca, e lá consegue auxilio da princesa Nausica, que o toma por um pobre náufrago, o leva para o palácio de seu pai, indicando a ele como ganhar as graças do rei e rainha.


👑 Alcino

Odisseu é acolhido no palácio e encanta a todos com suas histórias, mas acaba tendo a identidade descoberta após se emocionar demais com as canções de Demódoco, o bardo, que cantou sobre a guerra e sobre a astuta estratégia do cavalo de Tróia.

O rei Alcino, admirado pela bravura de Odisseu, o auxilia a retornar para sua pátria.


🏛 De volta ao Lar

Odisseu adormece no navio, e acorda nas areias de Ítaca, porém uma névoa espessa enviada por Atena não o permite reconhecer sua terra natal, que tira sarro do heróis por sua confusão, mas logo em seguida o ajuda a formular um plano para voltar ao palácio e se livrar dos pretendentes de Penélope, que acreditavam que o rei estava morto e desejavam seu lugar ao trono.


👨‍👦 Pai e Filho

Graças a um fiel criado, Odisseu pode se reencontrar com seu filho Telêmaco, agora já adulto, e após um emocionante reencontro, ambos se juntam à Atena para executar o plano.


🏹 O Arco do Rei

Infiltrado em seu próprio castelo, disfarçado de mendigo, Odisseu conhece os pretendentes de sua esposa, e sua atenção cai em Antino, um homem arrogante e cruel que desejava o trono ardentemente.

Penélope havia tentando atrasar os pretendentes de várias formas, seja dizendo que escolheria um novo marido quando a mortalha de Odisseu estivesse pronta (e desfazendo a trama durante a noite) ou exigindo presentes de núpcias luxuosos.

Com o tempo acabando, a rainha decide então lançar um último desafio - aquele que pudesse armar o antigo arco do rei e atirar pela abertura de doze machados seria seu novo esposo.

Nenhum dos pretendentes, porém, conseguia armar o arco de Odisseu, já que o arco era extremamente rígido e pesado, exigindo uma força e técnica excepcionais.

Odisseu, ainda em seu disfarce, pede uma chance de tentar, e é alvo de risadas dos pretendentes; Penélope, por outro lado, é bondosa e permite que o mendigo faça uma tentativa, prometendo-lhe presentes generosos caso conseguisse.


⚔️ A Chacina

Odisseu, sendo dono do arco, não tem dificuldade alguma em armá-lo, e atira perfeitamente por entre os machados.

Ao ver a expressão de espanto no rosto dos pretendentes, anuncia que irá escolher um novo alvo, acertando então uma flecha no pescoço de Antino e começando uma verdadeira matança com a ajuda de seu filho, do fiel porcoeiro Eumeu e do vaqueiro Filetêu , da qual nenhum pretendente é poupado (os dois sobreviventes, Medonte e Femio eram, respectivamente, o arauto e poeta dos homens, e por não serem considerados uma ameaça, são deixados vivos.)


💞 Marido e Mulher

Odisseu finalmente pede a velha ama Euricléia que chame sua esposa.

Penélope, porém, não o reconhece à primeira vista, e desconfiada pede que retire a cama de seu quarto para que possa dormir. Odisseu, indignado com o pedido reclama que seria impossível remover a cama dali, já que havia sido talhada à mão por ele mesmo como presente para a esposa.

Com essa informação que apenas o casal sabia, Penélope se convence de que o homem em sua frente é, de fato, seu marido, e corre para seus braços.


🏺 O Fim

Por fim, Odisseu se reencontra com seu velho pai, Laerte, e expressa sua preocupação de que as famílias dos pretendentes mortos desejem vingança - o que se mostra real quando Eupites, pai de Antino, juntava homens contra o rei.

Medonte, que havia sido poupado no palácio se coloca em defesa de Odisseu, mas suas palavras não surgem efeito o suficiente para deter a multidão revoltada.

Atena decide intervir mais uma vez, disfarçada como Mentor, ela permite que executem o pai de Antino, e em seguida clama por paz, alegando ser a vontade do poderoso Zeus. Odisseu a ignora e tenta um novo ataque, mas é impedido por um raio que cai aos pés da deusa disfarçada.

Todos então largam suas armas, temendo a ira dos deuses, e a paz volta a reinar em Ítaca.

Conclusão: Apesar de ser um resumo em prosa da história original e eu ter lido inteiro em poucas horas, ainda assim foi um excelente livro, com todos os pontos mais relevantes da jornada. Como uma entusiasta da mitologia grega, ainda pretendo ler os poemas originais, mas por ora me sinto satisfeita.


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