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O Rei de Amarelo - Resenha

  • Foto do escritor: Mel
    Mel
  • 23 de jan.
  • 5 min de leitura

Título: O Rei de Amarelo


Autor: Robert W. Chambers


Gênero: Horror, Ficção Estranha


Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (4/5)


Sinopse: Existe um livro que não deveria ser lido.Uma peça de teatro capaz de destruir a mente de qualquer um que a conheça.

Em O Rei de Amarelo, Robert W. Chambers reúne contos interligados por esse texto proibido, que leva artistas, intelectuais e pessoas comuns à loucura, ao desespero e à obsessão. A cada nova leitura, a realidade começa a se fragmentar, e uma presença sombria, o enigmático Rei de Amarelo, se aproxima.

Entre Paris, Nova York e mundos que parecem existir além do nosso, os personagens descobrem que certos conhecimentos têm um preço alto demais. Identidades se desfazem, o tempo perde o sentido e a sanidade se torna frágil diante do horror cósmico que espreita nas sombras.

Clássico absoluto do terror weird, O Rei de Amarelo é uma leitura perturbadora e hipnótica sobre loucura, decadência e os perigos de olhar além do véu da realidade.


Resenha: Eu sou muito fã de horror cósmico, e quando eu descobri que O Rei de Amarelo havia sido uma das principais inspirações do gênero eu fiquei super animada para ler. O livro é sim muito bom, porém eu admito que fui com uma expectativa um pouco diferente sobre ele, o que é culpa minha, pois eu estava me baseando em obras inspiradas pelo Rei de Amarelo que eu já consumi (como por exemplo o podcast Malevolent), e isso pode ter afetado um pouco a minha experiência. O Rei de Amarelo não é um livro de horror, e apenas alguns dos contos têm referências à Hastur e Carcosa. O primeiro conto, 'O Reparador de Reputações", tem uma excelente narrativa, mostrando como O Rei de Amarelo sutilmente leva pessoas à insanidade; no início acreditamos que Hildred Castaigne é um homem comum, simpático e cuidadoso, porém conforme a história se desenrola, conseguimos ver como sua mente estava sendo afetada desde o começo pela loucura. O segundo conto, "A Máscara", foi o meu favorito; os personagens são carismáticos, a história é interessante e tem um leve aspecto de ficção científica unida ao horror da situação. Apesar de não ter citações diretas indicando a influência de Hastur, o horror da história funciona muito bem, com homens querendo "brincar de Deus" e conquistar a morte, preservando a vida em uma substância desconhecida. No terceiro conto "A Travessa do Dragão", um homem religioso se vê assombrado pelo organista da Igreja, que parece lhe nutrir um ódio profundo, e o homem, paranoico após ter lido O Rei de Amarelo, decide seguir o músico, apenas para ser perseguido logo em seguida.


Já no quarto conto, "O Sigilo Amarelo", também um dos meus favoritos, temos um desenvolvimento sombrio e agitado sobre perseguições e fé onde um artista religioso e sua musa são levados à insanidade diante a presença de um homem desfigurado que porta o Sigilo Amarelo e assombra os sonhos da dupla. Em "Demoiselle d'Ys", quinto conto e encerramento do primeiro ciclo do livro, viajamos até (supostamente?) Carcosa, onde o aventureiro Philip se perde e aparentemente viaja no tempo, onde conhece a adorável Jeanne d'Ys e os falcoeiros Hastur e Raoul, onde vivem em pequenas cabanas de estilo medieval no meio das charnecas. Philip e Jeanne desenvolvem um romance muito bonito, apesar de rápido, porém tudo muda quando o aventureiro é picado por uma cobra. "O Paraíso do Profeta" marca a mudança entre os ciclos de contos, e é composta de vários fragmentos que não tem nenhuma conexão aparente, mas é possível assumir que são fragmentos da própria peça "O Rei de Amarelo." -> A partir daqui os contos perdem por completo as menções sobre O Rei de Amarelo, e de início isso me confundiu muito. Não são contos ruins, muito pelo contrário, mas o foco agora são dramas franceses envolvendo arte e guerra. O primeiro conto do segundo ciclo, "A Rua dos Quatro Ventos" é uma história curta mas bem desenvolvida, sobre um pintor que tem a casa invadida por um gato e vai em busca de sua dona; o conto tem um leve teor sinistro na conclusão e é bem satisfatório. O segundo conto, "A Rua da Primeira Bomba" foi o primeiro que eu realmente não gostei. É uma história que se passa durante alguma guerra não nomeada, nos mesmos bairros de Paris que os demais contos, porém é uma narrativa arrastada e confusa, com personagens demais sem profundidade alguma. No conto "A Rua de Nossa Senhora dos Campos" acompanhamos o jovem americano puritano navegando seus primeiros dias em Paris, onde faz amizade com um rapaz boêmio chamado Clifford, apesar de suas diferenças, e desenvolve um romance muito fofo com uma garota chamada Valentine. Não há nenhum aspecto de horror nesse conto, na verdade é praticamente um romance. Mas eu gostei bastante. Por último, "Rue Barrée" também é um romance parisiense entre estudantes das artes, que referencia diversos outros contos do livro, o final tem um "quê" de loucura no protagonista, mas é algo sutil.

Conto Favorito: A Máscara


Conclusão: O Rei de Amarelo é um livro muito bom, que apadrinho todo um gênero literário. Eu comecei a ler com uma expectativa um pouco distorcida, mas nem por isso eu deixei de aproveitar as fantásticas histórias de Robert W. Chambers.


Citações Favoritas: "Peço a Deus que amaldiçoe o autor assim como o autor amaldiçoou o mundo com essa bela e estupenda criação, tão terrível em sua simplicidade e irresistível em sua verdade — um mundo que agora vacila ante o Rei de Amarelo." "A máscara do autoengano tinha deixado de ser uma máscara, havia se tornado parte de quem eu era."


"[...] palavras compreendidas tanto pelo erudito quanto pelo ignorante, mais preciosas do que joias, mais suaves do que música, mais terríveis do que a morte."


"Eu preferiria morrer a esquecer de uma única palavra sua."


"Apenas de olhos fechados eu seria capaz de pintá-la, pois as cores de que preciso só podem ser encontradas em sonho."


"Quantas vezes terei de repetir e lhe explicar que tenho dinheiro e que, por causa disso, é meu dever compartilhá-lo, assim como é o seu e de todo norte-americano fazer o mesmo?"


"E se ele acredita que o mundo é um lugar tão bom e puro quanto seu próprio coração, eu digo a ele que acredito também."


"Duas almas, mas apenas uma consciência."


"Aceite-me ou abandone-me, de que isso importa? Você pode me matar com uma só palavra e talvez seja mais fácil morrer do que contemplar a felicidade perdida desse momento."


"Eu temo dar sequer um paço em direção ao lugar em que vocês, tolos, se aventuram aos tropeços."



 
 
 

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