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O Morro dos Ventos Uivantes - Resenha

  • Foto do escritor: Mel
    Mel
  • 18 de mai. de 2025
  • 5 min de leitura

Título: O Morro dos Ventos Uivantes


Autor: Emily Brontë


Gênero: Romance; Tragédia; Ficção Gótica


Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (4/5)


Sinopse: Em meio aos ventos cortantes e à paisagem agreste dos pantanos de Yorkshire, acontece uma história devastadora de obsessão intensa. O Morro dos Ventos Uivantes acompanha a complexa relação entre Heathcliff, um órfão adotado, e Catherine Earnshaw, filha do proprietário da sombria propriedade que dá nome ao livro. Narrado em grande parte pela governanta Nelly Dean, a história atravessa gerações, explorando paixões destrutivas, vinganças amargas e as consequências das escolhas dos personagens. Obra única da escritora Emily Brontë, este clássico da literatura inglesa desafia as convenções românticas da época com personagens marcantes e uma atmosfera gótica.

Resenha: Demorei bastante para concluir a leitura de O Morro dos Ventos Uivantes. Mesmo tendo gostado da história, em muitos momentos senti a leitura um pouco monótona. O ritmo é lento, os capítulos são longos, e há um certo distanciamento emocional na narrativa, talvez por ela ser conduzida pela perspectiva da governanta Nelly Dean, que conta a história para o Sr. Lockwood, um homem da cidade

.

Mas o que me manteve envolvida foi o conflito profundo e caótico entre os personagens. Emily Brontë criou figuras que, mais do que boas ou más, são absurdamente humanas. Há um jogo constante entre religiosidade e moralidade. Nelly, por exemplo, representa uma bondade cristã que nem sempre é confiável; Isabella, mesmo sendo gentil e doce, faz escolhas questionáveis; Joseph é um fanático religioso intransigente do velho testamento, acreditando em um Deus impiedoso a quem devemos temer; e Heathcliff… bem, Heathcliff é considerado um herege.


"-Se estivesse no céu, Nelly, eu me sentiria extremamente infeliz.

-É porque lá não é lugar pra você! Todos os pecadores se sentiriam miseráveis no céu." (sobre Catherine E.)


Eu sempre vejo muitas pessoas falando sobre O Morro dos Ventos Uivantes como um livro de romance, e isso me incomoda, pois a relação entre Heathcliff e Catherine Earnshaw está longe de ser romântica no sentido tradicional. É uma conexão doentia, de obsessão, posse e orgulho. Heathcliff é obcecado por Catherine, enquanto ela parece querer manter o controle emocional sobre ele, mesmo após escolher se casar com outro homem. Não existe um amor saudável ali, apenas uma tentativa desesperada de pertencimento mútuo que causa danos a todos ao redor.


"Mas agora, se me casasse com Heathcliff, eu me degradaria, por isso ele nunca saberá o quanto o amo: e não porque ele é bonito, Nelly, mas por ser mais eu do que eu mesma. Seja do que forem feitas as almas, a minha e a dele são iguais." (Cathy E.)


Quando Catherine tenta alertar Isabella sobre a natureza cruel de Heathcliff, é por ciúmes, sim, mas também por uma tentativa de poupar o coração da amada cunhada. Isabella ignora o aviso, estando cega de amor, e acaba pagando o preço, se casando com um homem cruel e abusivo. Dentre as muitas atitudes chocantes de Heathcliff, o momento em que ele enforca o cachorrinho da Isabella foi, pra mim, um dos mais perturbadores.


Quando a narrativa avança para os filhos da geração anterior (Linton Heathcliff, Hareton Earnshaw e Cathy Linton) confesso que precisei montar uma árvore genealógica para conseguir entender a história a partir daqui. Os nomes se repetem e os laços são confusos, principalmente por os sobrenomes de uns serem o primeiro nome de outros.



Eu gostei bastante de como o relacionamento entre Cathy L. e Hareton é construído. Começa com desprezo, passa pela convivência, cresce em amizade e termina num amor muito mais gentil e sincero do que o dos seus pais. É como se eles carregassem as marcas das gerações anteriores, mas escolhessem um caminho diferente, trazendo um final feliz para uma narrativa tão dolorosa.


"Eles não têm medo de nada. Juntos, seriam capazes de enfrentar Satanás e todas as suas legiões." (sobre Cathy L. e Hareton)


Achei fascinante como nenhum personagem é completamente certo ou errado. Até a fidelidade da Nelly Dean, que parece sensata no início, é bastante volátil; ela perdoa atitudes horríveis, toma decisões questionáveis, e às vezes se aproxima ou se afasta das pessoas por motivos bobos (como quando diz perdoar os abusos de Heathcliff com Linton, só por achar o menino um pouco irritante.)


Eu gostaria que a insanidade de Heathcliff ao acreditar ver o fantasma de Catherine tivesse sido mais detalhada, mas por a história ser contada pelo ponto de vista de Nelly Dean, sinto que essa parte do enredo, que deveria ser muito importante, ficou subdesenvolvida.. Ainda assim, o impacto do suposto reencontro póstumo é sim sentido no desfecho do livro, e dá um toque sobrenatural à história.


"Você disse que eu a matei... pois assombre-me então! ... Esteja sempre comigo, assuma a forma que desejar, enlouqueça-me! Só não me deixe neste abismo, onde não posso encontrá-la! Oh, Deus, é impossível! Eu não posso viver sem a minha vida! Eu não posso viver sem a minha alma!" (Heathcliff sobre Cathy E.)

Personagem Favorito: Hareton Earnshaw


Conclusão: O Morro dos Ventos Uivantes não é uma história de amor. É uma história sobre obsessão, rancor, desejo de vingança, solidão, e trauma geracional. É um livro denso, com uma ambientação sombria e personagens complexos, daqueles que fazem a gente se sentir desconfortável, mas que ao mesmo tempo nos cativam com sua humanidade.

Apesar do ritmo lento, foi uma leitura que me marcou. Recomendo para quem gosta de histórias intensas, góticas e com uma boa dose de desconstrução do ideal romântico.


Citações Favoritas: "O vigário poderia definir quantos capítulos (da bíblia) quisesse para Catherine decorar, e Joseph poderia espancar Heathcliff até que seu braço doesse; eles esqueciam tudo no minuto em que ficavam juntos novamente."


"Pessoas orgulhosas geram sofrimento para si mesmas."


"Um bom coração aformoseia o rosto, meu rapaz, mesmo que sua aparência seja horrorosa. Já um coração maligno transformará o mais belo em algo monstruoso."


"Em seu coração havia espaço apenas para dois ídolos: sua esposa e ele próprio. Amava ambos e adorava apenas a mulher." (sobre Hindley)


"-Tenha piedade da sua própria alma! ...

-Não tenho, não! Pelo contrário, terei grande prazer em enviá-la à perdição para punir o Criador!" (Hindley)


"Qual seria a utilidade da minha criação, se eu estivesse inteiramente contida apenas em mim mesma?" (Cathy E.)


"...Eu sou Heathcliff! Ele está sempre, mas sempre, em meu pensamento; não como uma fonte de satisfação, que eu também não sou para mim mesma, mas como eu própria." (Cathy E.)


"Não jazerei lá sozinha: podem enterrar-me a mais de três metros de profundidade e derrubar a igreja sobre mim, mas jamais descansarei até que você esteja comigo." (Cathy E.)


"...e o inferno terá a sua alma! Ficará dez vezes mais sombrio com ele do que era antes!" (Isabella sobre Heathcliff)


"...e você sabe, Catherine, que é mais fácil eu esquecer a minha própria existência do que você!" (Heathcliff)


"Eu não parti o seu coração... você é que o partiu; e, ao fazer isso, partiu o meu também." (Heathcliff sobre Cathy E.)


"Amo a minha assassina... mas não a sua!" (Heathcliff sobre Cathy E.)


"Eu o amo mais do que a mim mesma, e sei disso porque oro todas as noites para que ele se vá antes de mim, pois prefiro ficar triste a vê-lo triste." (Cathy L. sobre seu pai, Edgar)


"E acredite que sua bondade me fez amá-la mais profundamente do que se eu merecesse seu amor." (Linton H. sobre Cathy L.)


"...sem meus livros eu ficaria desesperado!" (Sr. Lockwood)



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