O Fantástico Sr. Raposo - Resenha (Filme)
- Mel

- 21 de abr. de 2025
- 3 min de leitura
Título: O Fantástico Sr. Raposo
Diretor: Wes Anderson
Gênero: Animação; Ação/Aventura; Crime; Familiar
Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (5/5)
Sinopse: Sr. Raposo levava uma vida tranquila com sua família, até que decide voltar aos velhos hábitos e roubar as fazendas dos vizinhos. Com muito charme, esperteza e um plano engenhoso, ele acaba despertando uma guerra com os fazendeiros. Nessa divertida aventura cheia de estilo, o Sr. Raposo mostra que ser selvagem pode ser uma questão de instinto — mas também de coração.

Resenha: Esse filme tem a assinatura do Wes Anderson bem evidente, tanto nas escolhas artísticas como no texto. O roteiro é brilhante, os diálogos tem um ritmo acelerado e inteligente, com rimas, jogos de palavras e frases de efeito; mas que funciona com uma fluidez surreal.
A animação em stop-motion é estilizada e lindíssima, e o jogo de câmera é absolutamente impecável.
O enredo é envolvente, dramático e divertido, um tipo de filme leve e carismático com um toque profundo e reflexivo.
Apesar de todo o plot sobre o roubo e os fazendeiros ser absolutamente genial, o que eu mais gostei no filme foi a maneira como é retratada a relação de uma família disfuncional
"Eu também te amo. Mas eu não deveria ter me casado com você."
É evidente que o Raposo e Felicity se amam muito, mas enquanto Felicity se contentava com a vida na pobreza, desde que isso significasse que sua família estaria feliz e à salvo; o Raposo não conseguia negar sua natureza, e seria, no fundo, sempre um animal selvagem.

Mas a minha parte favorita dessa dinâmica é definitivamente o Ash. As interações dele com o pai diz muito sobre paternidade, de uma maneira que é relevante em muitos casos na vida real. Essa relação mostra que alguns homens nunca deveriam ter sido pais, mas são, e amam profundamente seus filhos. Eles se esforçam, com tudo que têm. Mas isso não significa que deveriam ter sido pais, ou que são bons nisso. [Apesar de no filme ser retratado com a paternidade, o sentimento é válido tanto para homens quanto mulheres - algumas pessoas simplesmente não estão prontas, ou sequer são aptas para criar uma criança.]
Ash é um garoto diferente dos outros. Ele é pequeno, se veste de maneira inusitada, é mal-humorado e eu me identifiquei muito com ele. O Ash é um personagem para aquelas pessoas que, a vida toda, sentiam que não pertenciam a lugar algum, por mais que se esforçassem, nós sempre seríamos deslocados.
"Eu sou rabugento. Eu cuspo. Acordo do lado errado da cama. Eu sou só... diferente. Pelo visto."
Mas o arco dele é de longe o mais bonito, pois enquanto no começo ele se ressentia do primo por estar recebendo atenção, sendo um prodígio e "normal", ele aprende a conviver com as suas diferenças, e cria laços com seu primo. Grande parte desse desenvolvimento se deve ao fato de seu pai, Raposo, admitir sua culpa na situação do garoto, por não ter lhe dado atenção o suficiente, por não confiar nele para ajudar, mesmo fazendo questão de envolver o sobrinho. E foi refrescante assistir essa cena de perdão e aceitação.

Personagem Favorito: Ash
Conclusão: Facilmente um dos melhores filmes que eu já vi.
Citações Favoritas: "Eu entendo o que você está dizendo, e seus comentários são valiosos. Mas eu vou ignorar seu conselho."
"Eu sei como é se sentir... Diferente."
"-Eu não quero mais viver em um buraco. Faz eu me sentir pobre.
-Nós somos pobres, mas somos felizes."
"Somos todos diferentes. Mas tem algo meio fantástico nisso, não é?"




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