Enciclopédia das Fadas de Emily Wilde (Review)
- Mel

- 17 de jun. de 2024
- 4 min de leitura
Título: Enciclopédia das fadas de Emily Wilde
Autora: Heather Fawcett
Gênero: Fantasia
Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (5/5)
Sinopse: O livro narra a jornada de Emily Wilde, uma acadêmica dedicada ao estudo das fadas. Emily é uma pesquisadora meticulosa e está determinada a completar a enciclopédia definitiva sobre as criaturas mágicas do mundo.
A história começa quando Emily viaja para uma remota ilha nórdica, onde pretende investigar uma rara espécie de fadas. Em sua busca pelo conhecimento, ela acaba se deparando com mais do que esperava: a ilha é cheia de segredos e os habitantes locais são tanto misteriosos quanto desconfiados. A princípio, Emily se sente deslocada, mas com o tempo, ela começa a formar laços com os moradores e a desvendar os enigmas das fadas que habitam a região.
Ao longo da sua pesquisa, Emily conta com a ajuda de Wendell Bambleby, um colega acadêmico carismático e misterioso, cuja presença inicialmente causa desconforto, mas gradualmente se torna essencial para sua missão. Juntos, eles enfrentam desafios sobrenaturais e descobrem que as fadas são muito mais complexas e perigosas do que os contos populares sugerem.
"Enciclopédia das Fadas de Emily Wilde" é uma narrativa rica em detalhes, que combina o rigor acadêmico da protagonista com a magia do mundo das fadas, oferecendo aos leitores uma aventura inesquecível repleta de descobertas, perigos e encantamento.
Review: Esse livro é a definição de cozy fantasy*, com uma escrita imersiva e personagens apaixonantes, é uma história que te mantém torcendo pelo sucesso dos protagonistas.
Emily é uma protagonista feminina bem diferente da maioria em livros de fantasia; começando por sua idade: Emily tem aproximadamente 30 anos, e não é a típica heroína alegre e fofa, nem a protagonista forte e intimidadora; ela é introvertida com diversos traços de autismo, ela inicialmente não se dá muito bem com os outros personagens, por não saber como agir com as pessoas, e frequentemente se sente culpada ao ajudá-los, pois suas intenções são sempre mais acadêmicas do que altruístas.
Emily é uma personagem altamente real, e eu me identifiquei com ela em diversos momentos.
Seu relacionamento com seu colega de pesquisa, Wendell Bambleby me lembrou muito o relacionamento entre Sophie e Howl no livro "O Castelo Animado".

Ambas Sophie e Emily são mau humoradas e pessoas práticas, enquanto Howl e Wendell são extravagantes e convencidos.
Em relação ao aspecto de fantasia, a criação de mundo é excepcional; o livro é escrito em forma de um diário de pesquisa, e apesar de serem gêneros muito diferentes, me lembrou um pouco a escrita de H. P. Lovecraft em "As Montanhas da Loucura", com aspectos científicos e fantasiosos nesse formato de documentação.
A fantasia também é profundamente estudada, com menções a folclores de diversas partes do mundo, sempre com a devida atenção aos detalhes e a como as histórias podem se deformar ao longo do tempo.
(Agradecimentos ao Luiz, meu namorado, por fazer essa comparação) O livro também tem uma atmosfera muito similar ao filme "Animais Fantásticos e Onde Habitam", com a catalogação de criaturas e protagonistas que não se conformam ao que é considerado "normal" pela sociedade. Tanto Emily quando Newt Scamander se sentem mais conectados à essas criaturas do que aos seus colegas humanos.

No geral é um história muito divertida, com personagens cativantes e um final que te deixa querendo mais (e por sorte, temos mais dois livros na sequência, e eu mal posso esperar para ler eles!)
Personagem Favorito: Poe
Conclusão: Esse livro foi uma delícia de ler no inverno, debaixo das cobertas e com meias quentinhas; como a história se passa em um vilarejo nevado nas montanhas, ele tem uma vibe muito confortável. É o tipo de livro perfeito para se acompanhar um chocolate quente.
Citações Favoritas: "Mas talvez seja sempre reconfortante estar perto de alguém que não espera de você nada além do que está na sua natureza."
"É difícil não se entreter com Bambleby; É uma das coisas que mais me incomoda nele. Isso e o fato de que ele se considera meu melhor amigo. o que é apenas verdade no sentido de que ele é meu único amigo."
"Eu imagino que a maioria das crianças se apaixona por fadas em algum momento, mas o meu fascínio nunca foi com a magia ou a realização de desejos. Os feéricos são de outro mundo, com suas próprias regras e costumes - e para uma criança que sempre se sentiu deslocada em seu próprio mundo, a atração era irresistível."
"Não podemos todos ser feitos de pedra e lascas de lápis."
"Eu desejo conhecer o desconhecido. Ver o que nenhum mortal jamais viu - como Lebel diz? Puxar o tapete do mundo e cair nas estrelas."
"Se algo é impossível, não tem como você ser terrível nisso."
"Eu não tenho interesse em atormentar crianças, independente do quanto seus pais o mereçam."

(Créditos da foto: rottinginthedeep)
*cozy fantasy: "fantasia aconchegante", é um subgênero da fantasia que se destaca por suas histórias reconfortantes, leves e muitas vezes nostálgicas, proporcionando uma sensação de conforto e bem-estar aos leitores. Esse tipo de narrativa tende a evitar conflitos intensos ou temas sombrios, concentrando-se em elementos que evocam uma atmosfera acolhedora e agradável.



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