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A Redoma de Vidro - Resenha

  • Foto do escritor: Mel
    Mel
  • 27 de nov. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 5 de jan. de 2025

Título: A Redoma de Vidro


Autor: Sylvia Plath


Gênero: Romance Autobiográfico; Psicológico


Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (5/5)


Sinopse: Em A Redoma de Vidro, Sylvia Plath nos apresenta Esther Greenwood, uma jovem brilhante que ganha uma cobiçada oportunidade de estágio em uma renomada revista em Nova York. No entanto, por trás do sucesso aparente, Esther sente-se sufocada por uma profunda crise existencial. A narrativa é um mergulho intimista em sua luta contra a depressão, capturando de forma visceral a sensação de isolamento e a busca por identidade em um mundo que parece cada vez mais opressor.

Com uma prosa lírica e envolvente, Plath constrói uma obra profundamente pessoal e universal, abordando temas como saúde mental, feminilidade e as pressões da sociedade. A Redoma de Vidro é uma leitura impactante, que continua a ressoar com leitores de todas as gerações.


"Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e parada como um bebê morto, o próprio mundo é o pesadelo."


Resenha: “A Redoma de Vidro”, de Sylvia Plath, é um livro que ressoa profundamente com muitas pessoas, especialmente mulheres que já passaram por momentos de fragilidade emocional ou questões relacionadas à saúde mental.


A obra é um retrato cruel e sincero da luta interna de Esther Greenwood, uma jovem inteligente e promissora que se vê aprisionada pelas expectativas sociais e pela opressão do patriarcado. A metáfora da "redoma de vidro" é central para o livro, representando o isolamento emocional e social. A redoma é uma prisão invisível, que limita suas interações com os outros e a impede de se conectar com seu verdadeiro eu.


Esther, assim como muitas pessoas que enfrentam transtornos mentais, sente-se constantemente inadequada, como se não se encaixasse em um mundo que parece não entender suas angústias. Essa sensação de não pertencimento é algo que muitas pessoas com dificuldades emocionais ou deficiências identificam em suas próprias vidas.


"O problema era que eu tinha sido inadequada o tempo todo, eu simplesmente não tinha pensado nisso."


Além de ser uma análise psicológica profunda, o livro também aborda questões feministas cruciais para a época, e que se mantém relevantes hoje em dia. Na década de 1950, as mulheres que não se encaixavam no ideal social da "mulher perfeita" — aquela que deveria ser alegre, sempre sorrindo, dedicada ao lar e, inevitavelmente, mãe e esposa — eram frequentemente rotuladas de "loucas" ou "histéricas".


"E eu sabia que, apesar de todas as rosas, beijos e jantares em restaurantes que um homem oferecia a uma mulher antes de se casar com ela, o que ele secretamente queria, quando a cerimônia de casamento terminasse, era que ela se achatasse sob seus pés."


Mulheres com depressão, como é o caso de Esther, que tinham suas crises relacionadas à pressão e aos papéis restritivos impostos pelo patriarcado, eram muitas vezes submetidas a abusos psiquiátricos (como terapia de choque e até mesmo lobotomias), como forma de controle. O romance destaca como essas mulheres, ao tentarem escapar desse modelo opressor, eram marginalizadas, notando também a diferença contrastante entre o tratamento estadual e particular.


Esther é uma mulher que não deseja seguir o caminho tradicional de esposa e mãe. Ela tem ambições artísticas, sendo poeta e escritora, mas o mundo ao seu redor, não permite que ela seja quem realmente quer ser.

Com sua rebeldia e espírito livre, torna-se tanto vítima quanto rebelde do sistema, vivendo em uma constante luta entre o desejo de liberdade e a pressão de se conformar.


O livro também revela as terríveis consequências dessa repressão, com Esther considerando o suicídio como uma forma de escapar da redoma invisível que a sufoca. Nesse sentido, a obra mostra como o suicídio pode ser, em alguns casos, visto como uma tentativa desesperada de recuperar o controle sobre a própria vida. Para Esther, a morte parece ser a única maneira de escapar de um mundo que a limita e não a entende. (Mas ela ainda recebe tratamento, e melhora gradualmente, apesar de termos um final aberto, sem sabermos se ela recebeu alta da instituição psiquiátrica ou não.)


"Era como se o que eu queria matar não estivesse naquela pele ou na fina pulsação azul que saltava sob o meu polegar, mas em outro lugar, mais profundo, mais secreto, e muito mais difícil de alcançar."


Conclusão: A Redoma de Vidro é uma obra poderosa que expõe as tensões entre o desejo de ser autêntica e as restrições impostas pela sociedade. Através da jornada de Esther, Sylvia Plath revela como a opressão patriarcal afeta a saúde mental das mulheres e como os sistemas de controle podem limitar os sonhos e as aspirações das jovens. É um livro atemporal, que continua a tocar profundamente aqueles que compreendem as complexidades da luta pela liberdade, identidade e igualdade.



Citações Favoritas: "Eu me senti muito quieta e muito vazia. Do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se de forma apática no meio da confusão ao redor."


"Eu me senti derretendo nas sombras, como o negativo de uma pessoa que eu nunca tinha visto antes na vida."


"Devem existir algumas coisas que um banho quente não consegue curar, mas eu não conheço muitas delas."


""Eu realmente não sei", ouvi a mim mesma dizer. Senti um choque profundo ao me ouvir dizer isso, porque no momento em que falei, soube que era verdade."


"Era reconfortante saber que eu havia caído e que não poderia cair mais fundo."


"Eu me sentia como um cavalo de corrida em um mundo sem pistas."


“[…] Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés. […]”


"Ela encarava seu reflexo nas vitrines brilhantes como se quisesse ter certeza, momento a momento, de que continuava a existir."


(Foto tirada por mim)


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