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1984 - Resenha

  • Foto do escritor: Mel
    Mel
  • 18 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Título: 1984


Autor: George Orwell


Gênero: Distopia, Ficção


Pontuação: ☆ ☆ ☆ ☆ ☆ (4/5)


Sinopse: Em um mundo dividido entre superpotências e governado por um regime totalitário, Winston Smith vive sob a vigilância constante do Partido e do onipresente Big Brother. Por meio das Teletelas, o Estado observa cada gesto, cada palavra e até cada pensamento de seus cidadãos.

Trabalhando no Ministério da Verdade, Winston passa seus dias reescrevendo o passado para que ele se ajuste às mentiras do presente. Mas, em silêncio, ele começa a questionar o sistema que controla a linguagem, apaga a história e transforma a obediência em virtude.

À medida que Winston se envolve em um ato proibido de rebeldia (pensar por conta própria) ele descobre que, em um mundo onde a verdade é manipulada e o amor é um crime, até a mente humana pode ser moldada. 1984 é um romance perturbador sobre vigilância, censura e o preço de resistir quando o poder decide não apenas governar corpos, mas consciências.

Resenha: 1984 é um livro muito bom. Tão bom que me deixou irritada do início ao fim, porque tudo nele é assustadoramente atual.

Ele foi escrito em 1949, mas tem tanta coisa que conversa diretamente com o mundo de hoje que chega a dar um nó no estômago.


As Teletelas, que veem e ouvem tudo o tempo todo, se parecem muito com a nossa realidade cercada por celulares, câmeras, TVs inteligentes e assistentes virtuais.

A violência constante exibida pelas Teletelas vai anestesiando as pessoas, e isso também é comum hoje em dia; a gente se acostuma. Passa por imagens brutais, notícias horríveis, e segue rolando a tela, como se a violência fosse algo "além" da nossa realidade. "Era até concebível que eles vigiassem todos o tempo todo."

Uma questão que realmente mexeu comigo foi a forma como o livro mostra crianças denunciando os próprios pais. Essa ideia de que até a inocência infantil pode ser

transformada em ferramenta de vigilância é uma das coisas mais perturbadoras do livro. O que inclusive me lembra de um momento no anime "Shingeki no Kyojin", onde Zeke Yeager denuncia as ações de seus pais para garantir seu status como "guerreiro leal" aos olhos do Governo.


"Era quase normal as pessoas com mais de trinta anos terem medo dos seus próprios filhos. E com razão, pois dificilmente passava uma semana em que o Times não publicasse um parágrafo descrevendo como algum pequeno e intrometido delator [...] tinha ouvido por acaso alguma observação comprometedora e denunciado os seus pais à Polícia do Pensamento."

E quando o livro fala sobre falsificação de fotos e “máquinas de escrever romances”, é uma referência acidental, porém direta da nossa IA moderna. A manipulação da informação faz com que seja difícil confiar em qualquer coisa hoje. Fotos e vídeos podem ser alterados com deepfakes, ferramentas de pesquisa estão sendo tomadas pelas respostas de IA (que muitas vezes apresentam informações incorretas), e enquanto o problema forem apenas vídeos falsos de coelhinhos no trampolim é uma coisa, mas quanto mais crível a mentira fica, mais ela se torna realidade.


"E se todos os outros aceitassem a mentira que o Partido impunha – se todos os registos contassem a mesma história – então a mentira passava para a história e tornava-se verdade."

Até o aumento de aplicativos de apostas (o famoso Tigrinho) me fez pensar na manipulação governamental e em como distrações são usadas para manter a população ocupada e esvaziada. Se você está ocupado demais apostando no seu time, você não vai pensar no desvio de dinheiro que foi construir o estádio.


Mas acho que a ideia que mais me incomodou é a noção de que "eliminar" os inimigos

do Partido não é o suficiente, você precisa quebrá-los, reprogramá-los, doutriná-los. Mártires inspiram resistência, revolta; pessoas vazias não. Um bom exemplo que temos disso é na saga Jogos Vorazes, onde a Katniss seria um mártir perfeito, por isso o presidente evita matar ela, preferindo convencer ela a ser complacente. Quando isso não funciona, Peeta é raptado e torturado, sofrendo um tipo de "reprogramação mental" para se tornar uma arma contra a revolução.


"Eles podem fazer você dizer qualquer coisa – qualquer coisa – mas não podem fazer você acreditar nela."


E então existe a Novilíngua. A redução da linguagem para reduzir o pensamento, o que no livro aparece como atualizações no dicionário, na vida real aparece por meio da censura das redes sociais. Parece exagero? Abra seu instagram ou tiktok e veja um vídeo sobre crime. A pessoa vai falar que "mataram" ou "assassinaram" a vítima, ou vai se render ao medo da censura, e dizer que "desviveram" ela? Se temos a palavra "bom", não precisamos de "ruim", só de "desbom" - se temos "viver", não precisamos de "morrer", só de "desviver" Conceitos perdem força. E quando as palavras encolhem, o pensamento vai junto, e isso inclusive ajuda na dessensibilização da violência, afinal "desviver" não é tão violento quanto "assassinar", logo, o crime não parece tão violento assim na cabeça de quem escuta. E até o aumento recente de aplicativos de apostas me fez pensar no livro. Parece bobo, mas tem tudo a ver com distração, controle e manipulação. Você mantém o povo ocupado com trabalho, jogos, apostas e polêmicas irrelevantes, para que eles não se atentem ao verdadeiro inimigo.


"Trabalho físico pesado, os cuidados com a casa e os filhos, pequenas brigas com vizinhos, filmes, futebol, cerveja e, acima de tudo, jogos de azar preenchiam o horizonte das suas mentes. Mantê-los sob controlo não era difícil."


Conclusão: No fim, 1984 não é um livro que te dá conforto. Ele me deixou inquieta, tensa, irritada, e alerta a como a propaganda do governo se infiltra no nosso dia a dia, bem devagar, de um jeito quase imperceptível. Não é uma história para escapar da realidade, mas para encarar o que acontece quando a gente para de questionar.


Citações Favoritas: "Dissimular os sentimentos, controlar o rosto, fazer o que todos os outros faziam, era uma reação instintiva." "Ele era um fantasma solitário proferindo uma verdade que ninguém jamais ouviria. Mas enquanto a proferisse, de alguma forma obscura a continuidade não se quebrava. Não era fazendo-se ouvir, mas mantendo-se são que se carregava a herança humana." "...o objetivo principal da Novilíngua é restringir o alcance do pensamento" "Ele teve a sensação de estar a entrar na humidade de uma sepultura, e não era muito melhor porque sempre soubera que a sepultura estava ali e à sua espera." "Se você amava alguém, você o amava, e quando não tinha mais nada para dar, ainda lhe dava amor." "A guerra é uma forma de despedaçar, ou de despejar na estratosfera, ou de afundar nas profundezas do mar, materiais que de outra forma poderiam ser usados para tornar as massas demasiado confortáveis ​​e, portanto, a longo prazo, demasiado inteligentes." "Os melhores livros, ele percebeu, são aqueles que lhe dizem o que você já sabe." "Talvez não se quisesse tanto ser amado quanto ser compreendido." "Que a escolha para a humanidade estava entre liberdade e felicidade e que, para a grande maioria da humanidade, a felicidade era melhor."


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